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Violência sexual infantil: é preciso educar e romper padrões culturais sobre a questão

20/05/2020 - Publicado por: Pedro Bortoloti Jr - Categoria: Social - Tags: exploração sexual campanha denúncia abuso menores menor adolescentes crianças


Ainda sobre o  Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado na segunda-feira (18), a conversa sobre esta realidade que insiste em existir e merece reflexões é com a psicóloga da Secretaria de Assistência Social e Habitação, Bruna Alexandre Boschini  (CRP 12/11397). Em Jaraguá do Sul, de janeiro de 2019 a abril de 2020, o Setor de Planejamento e Vigilância Socioassistencial da secretaria informou ao Ministério da Cidadania, por meio do instrumental denominado Registro Mensal de Atendimentos  (RMA), que das 339 famílias inseridas em acompanhamento pelo Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi), 47, ou 13.8% apresentaram crianças e/ou adolescentes vítimas de abuso sexual.  Destas famílias, houve duas (0,6% dos casos) adolescentes vítimas de exploração sexual, das quais uma na faixa etária dos sete aos 12 anos e outras dos 13 aos 17 anos. A informação é do secretário de Assistência Social e Habitação,  André de Carvalho Ferreira.
 
 As crianças e adolescentes vítimas de violência sexual são atendidas nos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). São equipamentos públicos que ofertam serviços especializados a pessoas que se encontram em situação de risco pessoal ou social por ameaça ou violação de direitos. De acordo com a gerente de Proteção Social Especial, Maria Andréia Stanck, os serviços ofertados nos Creas Baependi e Nova Brasília são realizados por profissionais capacitados, mantendo respeito à história de vida de cada cidadão e resguardando o sigilo das informações. “Os profissionais não medem esforços para  a busca da superação das violências sofridas e no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. Contribuem, também, para a construção de novos projetos de vida”, pondera.
 
É no Creas do Nova Brasília que a psicóloga Bruna (foto) atende casos desta natureza. De acordo com a profissional, é preciso estar atento aos sinais da vítimas. “Uma criança que sofreu ou está vivenciando situações de violência sexual pode manifestar alterações de comportamento como mudanças no humor, sono e apetite; ansiedade, agressividade ou introspecção; conflitos ou baixo rendimento escolar; distração; tristeza; medo; isolamento; pesadelos, comportamentos regressivos; brincadeiras ou falas de cunho sexual que não são condizentes com a idade”, explica. 
 
Afastar a vítima do agressor, apoiar e acreditar são passos importantes de um protocolo para minimizar os impactos da violência, mas não basta, segundo a psicóloga. “É necessário entender por qual motivo a violência sexual é tão comum na nossa cultura e encontrar cada vez mais formas de educar e romper com esse padrão. Quem comete a violência também precisa ser olhado”, pondera.
 
O tema exige a realização de campanhas para esclarecimentos. “Não é fácil para uma vítima de violência sexual contar para alguém e prestar denúncia formal. É comum a pessoa sentir um misto de emoções e sentimentos, como raiva, vergonha, culpa e, principalmente, medo”. 
 
Como se não bastassem tantos medos e sensações de insegurança, as vítimas ainda encontram outro estigma injusto da sociedade que culpabiliza as vítimas e minimiza as ações de quem comete a violência. Em geral, a violência sexual ocorre em ambientes fechados, sem testemunhas, deixa poucos sinais e são cometidos por conhecidos das vítimas. Outro fato complicador que colabora para a permanência dos crimes desta natureza é que as crianças vítimas, em boa parte dos casos, não têm noção do que é o abuso sexual. 

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