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Suicídio: falar sobre o tema é a melhor solução

04/09/2019 - Publicado por: Pedro Bortoloti Jr - Categoria: Saúde - Tags: saúde setembro amarelo suicídio estatística dados solução campanha

O assunto é delicado, mas falar sobre o tema é a melhor solução. O setembro amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, conta com série de ações voltadas para a temática que se estendem pelo mês todo. 


“Trata-se de uma tragédia que afeta a todos, deixando efeitos colaterais prolongados”, pondera a gerente de saúde mental, Denise Thum. O importante, ainda segundo a gerente, é a consciência de que os suicídios podem ser prevenidos. “A escuta atenta, prevenção, monitoramento e vigilância das estatísticas devem ser os componentes principais de toda e qualquer estratégia a ser desenvolvida nesse sentido”, pondera.

Em Jaraguá do Sul a secretaria tem registrados 103 suicídios de 2010 a 2018. A maioria dos casos (22) envolve pessoas de 40 a 49 anos.

Outra característica importante é a predominância de suicídio, em quase todos os anos, com exceção de 2016, do sexo masculino. Houve, porém, um aumento de 100% (de 3 para 6) no número de casos envolvendo mulheres de 2017 para 2018. 


Dificuldades psicológicas estão ligadas a tentativas de suicídio, em particular, sentimentos depressivos e dependência de substâncias. Muitos casos ocorrem em momentos de crise e de altos níveis de estresse, como problemas financeiros, de relacionamento ou no descobrimento de doenças crônicas. Vivência de conflitos, experiências traumáticas, de abusos e perdas estão associadas com comportamentos suicidas.

Há, também, certa tendência de grupos marginalizados e vulneráveis da sociedade, vítimas de discriminação e preconceito, entre eles: refugiados e imigrantes, indígenas, ex-detentos e pessoas com diferentes orientações sexuais.

O Ministério da Saúde divulgou, em 21 de setembro de 2017, o primeiro Boletim Epidemiológico de Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil. Um dos alertas refere-se à taxa de suicídio entre idosos com mais de setenta anos. Nessa faixa etária, foi registrada média de 8,9 mortes para cada 100 mil idosos nos últimos seis anos. A média nacional é de 5,5 por 100 mil.

Foram registrados, entre 2011 e 2016, 62.804 mortes por suicídio. Os homens concretizaram o ato mais do que as mulheres, correspondendo a 79% do total de óbitos registrados. Solteiros, viúvos e divorciados foram os que mais morreram por suicídio (60,4%). Na comparação entre raça/cor, a maior incidência é na população indígena. A taxa de mortalidade entre os índios é quase três vezes maior (15,2) do que o registrado entre os brancos (5,9) e negros (4,7).

Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é maior entre os homens, cuja taxa é de 9 mortes por 100 mil habitantes. Entre as mulheres, o índice é quase quatro vezes menor (2,4 por 100 mil). Na população indígena, a faixa etária de 10 a 19 anos concentra 44,8% dos óbitos.

Das tentativas de suicídio entre 2011 e 2016 foram registradas 48.204. Neste caso, as mulheres que atentaram mais contra própria vida, com 69% do total registrado. Entre elas, um terço fez isso mais de uma vez. Por raça/cor, a população branca (53,2%) registrou maior taxa. Do total de tentativas no sexo masculino, 31,1% tinham entre 20 e 29 anos. 

Os serviços de assistência psicossocial têm papel fundamental na prevenção ao suicídio. A pesquisa apontou que nos locais com a existência de Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) o risco de suicídio se reduz em até 14%.

Fatores de risco que merecem atenção:
– Vivência de dificuldades psicológicas;
– Morte de uma pessoa querida;
– Traumas emocionais;
– Desemprego ou problemas financeiros;
– Histórico familiar de suicídio;
– Histórico de negligência ou abuso na infância;
– Não aceitação do envelhecimento;
– Término de relacionamentos;
– Não aceitação da orientação sexual ou identidade de gênero;
– Dependência de álcool e outras drogas.

Formas de prevenção
– Ouvir com atenção e respeito;
– Levar o assunto a sério e verificar o grau desse risco;
– Perguntar sobre tentativas anteriores e pensamentos com esse tema;
– Ajudar a pessoa a pensar sobre soluções para o problema;
– Conversar com familiares e amigos imediatamente;
– Em casos de risco imediato, remover possíveis meios para o suicídio;
– Ajudar a pessoa a buscar ajuda especializada, sempre com o consentimento dela;
– Permanecer ao lado da pessoa e dar apoio emocional;
– Entender os sentimentos da pessoa sem nunca diminuir a importância deles;
– Procurar a rede de saúde, caso seja necessário, com o consentimento da pessoa.

Onde buscar ajuda?
– Familiares e amigos: conte o que está acontecendo;
– CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Postos de Saúde da Família, Unidades Básicas de Saúde);
– SAMU (192), Pronto-Socorro e Hospitais;
– Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita).

Programação para o Setembro Amarelo 2019 em Jaraguá do Sul

Atividades Gerais - durante todo o mês:
Distribuição de materiais para decoração das unidades de saúde para o Setembro Amarelo;
 
Ações a serem desenvolvidas nas Unidades de Saúde do município:
- Sala de Espera abordando a temática;
- Mural com informações;
- Abordagem da temática nos atendimentos, inclusive nas visitas domiciliares;
- Roda de conversa nos grupos existentes das Unidade de Saúde.

Atividades pontuais:
14/9, das 9 às 13 horas - Evento na Praça em frente ao Terminal Urbano, além de panfletagem na Getúlio Vargas;
14, 21 e 28/9 – Divulgação e orientação nos principais supermercados da cidade, entre 08h30 e 12h30
27/9 - Capacitação “Prevenção ao Suicídio – da teoria à prática”, em horário a ser confirmado. São 100 vagas para profissionais de saúde do Estado Santa Catarina. O objetivo é formar multiplicadores para a aplicação da dinâmica da “Árvore da Vida”, utilizada pelo Grupo de Prevenção ao Suicídio do município de Jaraguá do Sul.





 




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