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Produtores da banana mais doce do Brasil buscam adequações

12/08/2019 - Publicado por: Pedro Bortoloti Jr - Categoria: Agricultura - Tags: banana mais doce selo inpi agricultura

A região conquistou, no ano passado, a indicação geográfica (IG) mundial de banana mais doce do Brasil. Para que o título de origem possa ser utilizado, de acordo com o gestor de projetos do Sebrae, Celso Orlando Pirmann, são necessárias adequações de normas técnicas de padrão pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), órgão responsável pela indicação no Brasil. A busca por diretrizes e objetivos da denominação de origem, além da apresentação do processo de controle da IG serão temas de uma reunião, amanhã, às 19 horas, na sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, em Jaraguá do Sul. O evento é uma promoção das prefeituras de Jaraguá do Sul, Corupá, Schroeder, representados pelo Consórcio Intermunicipal de Gestão Pública do Vale do Itapocu (Cigamvali) e de São Bento do Sul, além do Sebrae.

De acordo com Pirmann, série de adequações são necessárias para a utilização do selo IG, como criação de grupos e comissões de trabalho e auditorias, além de aprovação das diretrizes e objetivos do sistema de controle social. “Buscamos a adequação da produção quanto às normas técnicas de padrão do INPI, formando auditores e entidade reguladora e gestora para esse trabalho”. Também serão feitas capacitações para a área de comunicação, criando um escritório de vendas e a comunicação visual do projeto, que também envolve sete subprodutos do fruto como biomassa, banana chips e geleia, por exemplo.

A bananicultura envolve cerca de 900 famílias de Corupá, São Bento do Sul, Schroeder e Jaraguá do Sul, segundo Pirmann. Em Jaraguá do Sul, dados da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Abastecimento apontam que a banana caturra ocupa área de 1,9 mil hectares, numa produção de 47,5 mil toneladas. A banana prata ocupa 200 hectares, com produção de 3,6 mil toneladas. A cidade possui uma extensão agrícola de 225 quilômetros quadrados, tendo como principais produtos, segundo o secretário Daniel Peach, banana, arroz, aipim, milho, batata doce, hortifrutigranjeiros, palmáceas, reflorestamentos e pastagens. As propriedades rurais cadastradas somam 3.142, compreendendo cerca de 7% da população municipal, ou seja: 11.711 habitantes. São 3.664 os trabalhadores rurais contratados.

A indicação geográfica de origem é a primeira para a banana no mundo, o que cria um diferencial competitivo não somente para a cultura, mas movimenta todo o trade turístico na região. O projeto valoriza não só o setor produtivo da banana. Outros poderão se beneficiar com esse selo, como por exemplo, o setor turístico. “É o que se espera que aconteça, a exemplo do que ocorre com o café do cerrado mineiro, primeira região demarcada no Brasil”, pondera. A questão do café envolve 55 municípios do Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro e Noroeste de Minas.

O movimento sobre a banana mais doce do Brasil teve início em 2014, com a Associação dos Bananicultores de Corupá (Asbanco). “Pesquisadores de universidades e do próprio Sebrae descobriram um microclima aqui. Não só em Corupá, mas nos outros três municípios onde a banana é muito cultivada. O fato da fruta demorar mais tempo para maturar, concentra mais sais minerais, tornando-a mais mais doce” explica o secretário, que emenda: “fatores como calor vindo do mar e o frio da Serra de São Bento do Sul contribuem para o sabor diferenciado”. Segundo ele, apenas na Austrália e na África existem regiões com microclimas parecidos, mas que não têm IG.

Para o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Domingos Zancanaro, certificações são indutoras da melhoria da gestão e da produção, dos resultados operacionais das propriedades e também permite a venda de um produto diferenciado que atende nichos de mercado que primam pela qualidade. “O ganho com o selo do INPI, que reconhece como banana mais doce a fruta produzida em Corupá e partes de São Bento do Sul, Schroeder e Jaraguá do Sul possibilita oportunidades para incremento das propriedades rurais e agregação de valor, gerando emprego e renda para a região e contribuindo com o desenvolvimento econômico”, pondera.






 




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