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Jaraguá tem menor índice de óbitos por acidente de transporte em 21 anos

15/02/2019 - Publicado por: Jorge Pedroso - Categoria: Trânsito - Tags: jaragua menor indice obitos acidente transporte ultimos anos

Resultado compara dados de 2018 com 1997, quando inciou essa série histórica

O Município de Jaraguá do Sul registrou, em 2018, a menor taxa de Mortalidade por Acidente de Transporte nos últimos 21 anos, apontando 7,5 óbitos por 100 mil habitantes, o que representa uma redução de 82% em relação a 1997, quando iniciou essa série histórica, com 42,4 mortes por 100 mil habitantes. Já em número de mortes esta redução foi de 68%, passando de 41 para 13 óbitos.

“Esses dados referem-se a mortes de pessoas residentes em Jaraguá do Sul e cuja ocorrência de acidente foi em nosso município”, explica Luís Fernando Medeiros, do setor de Planejamento da Secretaria Municipal de Saúde, quem realizou o levantamento junto ao Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM) e Vigilância Epidemiológica. Ele esclarece que a pesquisa considera como sendo “acidente de transporte todo aquele que envolve um veículo destinado ou usado no momento do acidente, em especial para condução de pessoas ou mercadorias de um lugar para outro”.

De acordo com Medeiros, Jaraguá do Sul apresentava em 1997 a maior taxa de mortalidade por acidentes de transporte entre as 13 cidades catarinenses que hoje têm mais de 100 mil habitantes, quando analisado o local da residência da vítima e o local de ocorrência sendo na cidade em que residia. Já em 2018 o município passou para a quinta posição, mas, para Medeiros, ainda pode melhorar seu posicionamento nesse ranking, pois os dados do ano passado fornecidos por outras cidades são preliminares, havendo possibilidade de alterações no Sistema de Informações.

Luís Fernando Medeiros aponta que, embora apresente algumas oscilações no período analisado, a tendência de queda nessa taxa de mortalidade tem sido constante. Para ele, esse resultado pode ser atribuído a uma soma de fatores, começando com mudanças na legislação de trânsito: obrigatoriedade de uso do cinto de segurança (setembro de 1997); Resolução Contran nº 20/1998, que regulamentou o uso do capacete; Resolução Contran nº 277/2008 (Lei da Cadeirinha), que definiu regras para o transporte de crianças; Lei Seca (2008) – que reduziu a tolerância para a quantidade de álcool no organismo – e correção de suas brechas permissivas em 2012, 2016 e 2018.

Outros fatores citados por Medeiros são o aumento da fiscalização no trânsito da cidade, com a instalação de redutores de velocidade eletrônicos e físicos, e novas tecnologias empregadas pela indústria automobilística, como freios ABS, por exemplo. “Devemos destacar ainda a melhoria e qualidade na assistência pré-hospitalar móvel prestada às vítimas de acidente de trânsito pelos Bombeiros Voluntários e pelo Samu, além dos serviços hospitalares para o atendimento das emergências decorrentes dos acidentes de trânsito, tanto das equipes médicas e de apoio como da estrutura hospitalar disponível na atualidade”, acrescenta. Ele também cita a contribuição de ações de conscientização da população em campanhas realizadas no município por ONGs, Polícia Militar e Comitê “Trânsito Mais Seguro”, entre outras iniciativas.




























Diretoria de Trânsito
O diretor municipal de Trânsito e Transporte, Gildo Martins de Andrade Filho, concorda com os fatores apontados por Medeiros e complementa que também contribuíram para esse resultado o trabalho de fiscalização da Polícia Militar, melhoria da sinalização e infraestrutura das vias. Outro fator destacado por ele é o aperfeiçoamento da legislação, lembrando que a Lei 13.281/2016 estabeleceu um aumento de 50% a 60% no valor das multas, como a aplicada a quem dirige sob influência de álcool, que passou de aproximadamente R$ 1,9 mil para R$ 2.934,70 e suspensão da CNH.

Andrade Filho cita ainda a colaboração da imprensa em tratar o assunto com frequência e as inúmeras campanhas de conscientização dos motoristas realizadas por órgãos públicos e ONGs. Ele acrescenta que ações nesse sentido também são desenvolvidas por empresas da cidade, a exemplo de Duas Rodas, Weg, Marisol e Malwee, entre outras, que costumam abordar o tema segurança no trânsito em eventos – como Sipat (Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho) – voltados aos seus trabalhadores.

Polícia Militar
Para o chefe da Seção Técnica do 14º Batalhão da Polícia Militar, capitão Antônio Benda da Rocha, essa redução na taxa de acidentes pode ser atribuída, sobretudo, à mudança no comportamento das pessoas no trânsito. “A sociedade em si tem evoluído e as pessoas ficaram mais civilizadas”, avalia o capitão. De acordo com ele, o recrudescimento da legislação, com punições mais severas aos condutores que cometem infrações de trânsito, duplicando o valor da multa em muitos casos, contribuiu para essa mudança de comportamento.

Seguindo as considerações apresentadas por Luís Fernando Medeiros e Gilson Martins de Andrade Filho, o capitão Benda acrescenta que o resultado se deve a uma associação de fatores e também cita a evolução tecnológica que deixou os veículos mais seguros ao incorporarem itens como cintos de segurança, freios ABS e airbags. Ele ainda destaca o trabalho da engenharia de tráfego, que implica em instalar sinalizações adequadas nas ruas do município. Embora os dados analisados pela Secretaria Municipal de Saúde demonstrem que o trânsito de Jaraguá do Sul apresente uma sensível melhora, para o capitão, “temos muito a evoluir ainda”.



 




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